Capex

Como empresas brasileiras estruturam capex para expansão em 2026

Composição editorial sobre planejamento de capex

Numa reunião de diretoria em Campinas, o CFO apresentou três projetos de expansão: uma nova linha de produção, a abertura de dois centros de distribuição e a modernização de um parque fabril existente. O orçamento total superava R$ 180 milhões. A pergunta do conselho não foi «qual projeto gera mais receita?», mas «qual projeto sobrevive se a Selic permanecer acima de 13% por mais um ano?». Essa mudança de tom resume como empresas brasileiras estruturam capex para expansão em 2026.

O cenário de custo de capital

Com juros reais ainda elevados, o custo de oportunidade de cada real investido em capex subiu de forma estrutural em relação ao ciclo pré-pandemia. Empresas que financiam expansão com dívida enfrentam spreads mais exigentes; as que usam caixa próprio comparam retorno de projetos com alternativas como redução de alavancagem ou recompra de participação. O resultado é uma triagem mais rígida.

Conversamos com oito diretores financeiros de empresas de médio porte — indústria, varejo e serviços — entre março e maio de 2026. Todos relataram revisão de pipeline de investimentos nos últimos doze meses. Projetos com payback superior a 36 meses foram adiados ou cancelados em seis dos oito casos; projetos com retorno abaixo de 24 meses mantiveram prioridade.

Critérios de priorização

A priorização de capex deixou de seguir apenas ordem estratégica definida em planejamento plurianual. Ganhou peso a capacidade de mensurar retorno em cenários conservadores. Diretores descrevem três filtros recorrentes:

  • Payback ajustado ao custo de capital: taxa mínima de retorno revisada trimestralmente conforme Selic e spread de crédito;
  • Flexibilidade de execução: projetos modulares que permitem pausar fases sem comprometer operação existente;
  • Geração de caixa durante a expansão: preferência por investimentos que não consumam liquidez por períodos prolongados.

Uma rede de varejo de alimentos, que preferiu não ser identificada, adiou a abertura de 14 lojas previstas para 2026 e manteve apenas cinco unidades em cidades com infraestrutura logística já contratada. O capex por loja caiu 18% com padronização de layout — decisão que mistura disciplina financeira com aprendizado de ciclos anteriores.

Financiamento e estrutura de capital

O financiamento de expansão combina fontes de forma mais cautelosa. Linhas do BNDES e fundos de investimento em infraestrutura continuam relevantes para projetos industriais de maior porte. PMEs recorrem a capital de giro estruturado, leasing de equipamentos e, em casos seletivos, private equity com mandato de crescimento.

Diretores alertam para o risco de alavancar expansão em moeda forte quando a receita é majoritariamente em reais — armadilha recorrente em setores que importam insumos. Empresas exportadoras têm mais margem para estruturas híbridas, mas enfrentam volatilidade cambial que pode inviabilizar projetos aprovados em premissas de câmbio distintas.

«Capex em 2026 não é sobre crescer a qualquer custo. É sobre provar que cada real investido resiste a um cenário adverso.»

Setores em ritmos diferentes

A dinâmica varia por setor. Indústrias ligadas a infraestrutura e energia mantêm capex contratual ou regulado, com visibilidade de retorno. Varejo e serviços ajustam expansão física conforme consumo regional. Tecnologia e SaaS redirecionam investimento para aquisição de clientes em novos estados — capex intangível que contabilmente se comporta diferente, mas compete pelo mesmo orçamento estratégico.

No agronegócio industrializado, expansão de capacidade de processamento segue vinculada a contratos de offtake e logística de escoamento. Diretores do setor relatam que projetos sem garantia de demanda enfrentam resistência de bancos comerciais — mesmo com perspectivas favoráveis de commodities.

O que observar daqui para frente

A implementação da reforma tributária adiciona incerteza de curto prazo sobre margens e incentivos regionais — variável que pode reordenar prioridades de expansão geográfica. Empresas que mantêm revisão trimestral de pipeline de capex estão melhor posicionadas para capturar oportunidades sem comprometer solidez financeira.

O Horizonte continuará acompanhando como diretores financeiros brasileiros equilibram ambição de expansão com disciplina de capital — não como manual de investimento, mas como registro editorial de decisões que moldam o crescimento empresarial no país.

Atualizado em 12/06/2026.